Manual para os Corais
Sumário
1. Apresentação
2. Orientações gerais
3. Como montar um coral
4. Estrutura física e organizacional
5. Categorias Corais – faixa etária
6. Planejamento das atividades
7. Material didático
8. Repertório
9. Dinâmicas de preparação do coro e técnica vocal
10. Apresentações
11. Partituras
12. Ensino da Linguagem Musical dentro do coro
13. Crianças ou coralista que se destacam no grupo
14. Disciplina nos ensaios
15. Liderança
16. A música como meio de transformação e formação da criança e do adolescente
17. Considerações Gerais
18. Anexos (bibliografia para material didático, partituras e modelo de jogos musicais)
1. Apresentação
Coral da igreja Apostólica Sorocaba SP.
2. Orientações gerais
O presente manual tem como objetivo dar orientações, dicas e algumas informações a respeito da formação e atuação dos corais, unificar o trabalho dos corais dentro do Programa. Não pretende de forma alguma formar músicos, no sentido acadêmico, mas apenas trazer orientações.
Através do Programa de Coordenação técnica, visando o melhor desenvolvimento dos corais e melhor aproveitamento para os educandos, além de ideias e sugestões para a atividade coral.
3. Como montar um coral
Primeiro é necessário ter em mente qual o seu público alvo. Se tem um mínimo de 6
Crianças no caso de coro infantil, ou no caso de coral adulto interessado em cantar.
Armário para partituras para apoiar o seu material, lápis, borracha e pasta para o coral,
Guardarem as músicas que você vai ensinar. Encontre um lugar seguro para guardar o material.
4. Estrutura física e organizacional
O mínimo necessário para fazermos os ensaios do Coral, é um espaço adequado,
arejado, com água, cadeiras e um teclado de apoio. À medida que o Coral for crescendo, vamos melhorando a estrutura. Se você é um regente que tem habilidades com vários instrumentos e gostaria de explorar isso com o Coral, vá em frente. Crie arranjos, use outros instrumentos, convide um amigo que toque bem para acompanhar o coral, em outras palavras use a sua criatividade. Usar outros recursos ou instrumentos sempre pode enriquecer o trabalho com o coral, só devemos ter sempre, bom senso e bom gosto.
Os corais devem ter na sua estrutura organizacional a figura do regente e do coordenador. O Regente é aquele que vai dirigir o grupo musical e artisticamente. Vai
Escolher e ensinar o repertório, trabalhar a afinação e qualidade vocal do Coral, ensinar a linguagem musical, em suma, é o diretor musical e artístico do Coral. O Coordenador vai fazer o cadastro dos coralistas, vai fazer os agendamentos necessários para as apresentações e ensaios, ou seja, vai dar suporte ao regente para o bom andamento da atividade.
5. Categorias Corais – faixa etária
Para um início estabelecemos um mínimo de oito crianças. Podemos dividir as
Categorias corais por idade. Mais ou menos assim:
Coral: Adulto
Coro Infantil: Crianças alfabetizadas até por volta dos 11 anos
Coro Juvenil: Crianças de 12 a 17 anos
que tem a faixa etária de 6 a 17 anos. Os corais devem ser mistos, ou seja, para meninos e meninas, de forma a contemplar toda a nossa clientela. A ideia é inclui-los nas atividades, sejam elas esportivas ou culturais, nesse caso, o Coral.
É interessante num primeiro momento dividir o Coral por categorias ou faixa etária,
Visto que uma criança de (6) anos não tem os mesmos interesses que um adolescente de 15 anos e vice-versa. Desse modo, a atividade se torna mais interessante para eles e mais fácil de ser trabalhada por nós.
6. Planejamento das atividades
Lidar com crianças e adolescentes requer disciplina, paciência, muito diálogo e criatividade. Preparar atividades que eduquem, estimulem e prendam a atenção de todos os cantores é uma tarefa que requer constante novidade e estímulo para os educandos.
Planejar é sempre uma preocupação que devemos ter. Quanto mais planejada a atividade maior probabilidade de se desenvolver de forma a alcançar os resultados esperados. Na atividade Coral o nosso objetivo é, de um modo geral, a apresentação. É onde queremos chegar. Por isso mesmo, talvez deva ser o nosso ponto de partida. Estabelecer possíveis datas e horários para o Coral se apresentar, escolher o repertório e planejar as atividades e ensaios para a preparação da apresentação.
O planejamento deve cobrir o mesmo período de aulas, ou seja, de fevereiro a dezembro. O objetivo do Coral é ensaiar, se preparar para se apresentar, sendo esse um processo de aprendizagem musical. O momento da apresentação resume todo esforço e preparação, é resultado do que foi trabalhado. Nesse aspecto, as apresentações são o estímulo e a opinião do que está sendo.
Feito, o termômetro do regente para ajustar as deficiências que o grupo apresente. Importante também é definir os objetivos de cada ensaio para que atendam aos requisitos de aprendizagem e desenvolvimento musical dos educandos.
7. Material didático Tanto para o repertório quanto para o ensino da linguagem musical no Coral é interessante ter em mãos material didático adequado, organizado e estruturado para o desenvolvimento da atividade.
8. Repertório
O repertório para coros infantis e juvenis deve ser eclético para que os pequenos
Cantores aprendam desde cedo a conhecer vários estilos e despertar para todo o tipo de (6) música.
9. Dinâmicas de preparação do coro
O ensaio pode ser dividido da seguinte forma:
a) Aquecimento corporal – 5’ a 10’
b) Aquecimento vocal – 15’ a 20’
c) Brincadeiras com músicas – 10’
d) Repertório de apresentação – restante do ensaio.
Aquecimento corporal
O Alongamento aquece o corpo e começa a preparar as crianças para o ensaio. Você
pode começar do pescoço e ir até o pé ou vice-versa. O importante é ter consciência do que se está fazendo para melhor orientá-los. Durante o alongamento inicial, podem-se fazer exercícios em duplas, trabalhando inclusive o companheirismo e a noção de que dentro do coro precisamos uns dos outros, ou seja, devemos trabalhar em conjunto. Nesse momento, pode-se trabalhar um pouco de foco e atenção.
Aquecimento vocal
Depois do corpo aquecido é hora de aquecer a voz, nosso instrumento. No caso de criança ainda não tem musculatura desenvolvida para fazer exercício que exijam grande tonicidade muscular, porém, é interessante que ela comece a criar o hábito de aquecer e preparar a voz para cantar. Segue abaixo alguns exercícios que podem ser feitos com crianças, sem, no entanto, exigir dela a perfeição na execução e sim o estímulo para fazer o melhor possível.
a) Apito do navio- esse é um exercício de fonoaudiólogo. Devemos soprar abrindo a bochecha e emitindo um som que parece um apito de navio. É um ótimo exercício para aquecer o ressoador.
b) Brrrrrrrrrrrrrrrr – O R ou o som feito com os lábios vibrando, além de aquecer, relaxam a musculatura que por vezes se encontra tensa. Como substituto podemos fazer numa escala de 5 notas ascendentes e descendentes as seguintes consoantes: R, Z, V, J, subindo de meio em meio tom de Mi Maior até Lá Maior e voltando para Mi Maior. Ou até fazer os dois.
c) P,B, T, D, K, G, S, Z, M, N, NH, LH, L, F, V, X, J, H (RR), R com todas as vogais numa escala de 5 notas ascendentes e descendentes começando de Dó Maior, indo até Lá Maior e voltando para Dó Maior.
PA, PA, PA, PA, PA, PA, PA, PA,
PE, PE, PE, PE, PE, PE, PE, PE,
PI, PI, PI, PI, PI, PI, PI, PI,
PO, PO, PO, PO, PO, PO, PO, PO,
PU, PU, PU, PU, PU, PU, PU, PU, PU
Esse exercício serve para soltar a articulação. Não é fácil, e deve ser feito rápido e
o quanto for possível. Se a criança não consegue fazer muito, não se preocupe,
aos poucos ela vai conseguir. Apenas encoraje-a a não desistir. Em geral, eles
acham engraçado e acabam rindo no meio do exercício. Não ligue, deixe-os rir.
Nesse momento, o importante é tentar fazer o melhor possível.
d) MI-NE-MÁ-NÓ-MU- (si) 5x
MI-NE-MÁ-NÓ-MU- (lá) 5x
MI-NE-MÁ-NÓ-MU- (sol#) 5x
MI-NE-MÁ-NÓ-MU- (Fá#) 5x
MI-NE-MÁ-NÓ-MU-NE-MÁ-NÓ-MU (mi-fá#-Sol#-lá-si-lá-sol#-fá#-mi)
Numa escala descendente, repetindo a mesma nota 5x e fazendo a escala de 5 notas ascendente e descendente na última sequência. Esse exercício aquece um pouco o ressoador.
Em geral, eles gostam de fazê-lo.
Existem outros exercícios que podem ser feitos. O importante é não forçar a voz das crianças. Eles têm a voz aguda, porém não tem maturidade fisiológica para sustentá-la. Raras são as crianças que conseguem fazer as notas agudíssimas. Tem que se trabalhar o registro de cabeça das crianças. Outro aspecto importante é a tonalidade. As músicas devem estar preferencialmente na extensão de Dó 3 (dó central) a Mi 4, podendo passar uma ou duas notas acima ou abaixo dependendo da capacidade vocal do coro. Não é interessante “esticar” a voz da criança, a extensão vai aumentando à medida que vamos trabalhando as vozes delas.E é preciso muito cuidado, por isso o repertório e a tonalidade são de extrema importância.
Aspectos que devem ser trabalhados:
Relaxamento – tensão na região dos ombros e do queixo é muito comum. Isso atrapalha a boa respiração. Por isso, o aquecimento corporal é importante, além de aquecê-los para o ensaio.
Respiração - muitas crianças têm problemas respiratórios e são tensas. Se ensinarmos a melhor forma de respirar, isso vai ajudá-los a diminuir a tensão e a alcançar as notas agudas.
Registro de cabeça – é preciso ensiná-los a bocejar, abrir o espaço interno necessário para atingir as notas agudas e arredondar o som.
Afinação – o Regente é o modelo vocal dos coralista. Por isso, regentes devem ter domínio da voz para melhor orientara as crianças e corrigir os problemas de afinação.
Esse é um requisito mínimo para o Coral ter um som bonito.
Musicalidade – todo o processo de aprendizagem musical irá trabalhar também a musicalidade das crianças. Interessante é tornar esse aprendizado prazeroso.
Dicção – uma boa dicção é responsável por boa parte da qualidade sonora de quem canta e faz com que os ouvintes entendam o texto que está sendo cantado. Articular se faz bem necessário.
Extensão – a extensão deve ser trabalhada aos poucos. Nunca se deve forçar a voz, especialmente de uma criança ou adolescente que ainda está em formação. Não se deve exigir força e volume das crianças e nem fazê-las “esgoelar”.
Muda vocal nos meninos - por volta dos 12 a 13 anos a voz do menino começa a mudar.
Alguns um pouco mais tarde e outros um pouco mais cedo. É preciso estar atento aos meninos. E se eles gostam de praticar esportes, muito provavelmente gostam de gritar também, o que dificulta o trabalho vocal. É preciso muito cuidado nessa fase, jamais forçar a voz e colocar o menino para cantar nas vozes mais graves, 2ª ou 3ª voz. E se for necessário mudar do infantil para o juvenil.
***Observação: deve-se ir conscientizando as crianças e adolescentes sobre a importância de cuidar da voz, cuidar do seu material, das partituras, dos instrumentos.
10. Apresentações
Os corais devem se apresentar no mínimo (3) vezes por ano.
Quanto mais cantam mais elas querem cantar. É como um estímulo para continuar no Coral. Uma sugestão de local para se apresentar que tenham um mínimo de espaço para o Coral. Datas festivas e comemorações são boas oportunidades. Toda forma de apresentação do Coral é válida.
11. Partituras
Mesmo que ainda não saibam ler partitura, ela vai aos pouco entendendo como funciona a linguagem musical escrita, desde que explicada pra elas.
12. Ensino da linguagem musical dentro do coro
Quanto maior a informação a respeito da linguagem musical, maior o desenvolvimento musical. Pode ser ensinado de várias formas com o caderno de atividades, as brincadeiras musicais, os jogos musicais e as canções que estão aprendendo. Se o regente tem o hábito de usar a partitura para eles acompanharem, à medida que vão aprendendo a ler as notas e o ritmo, vão entendendo melhor como seguir uma partitura.
13. Crianças que se destacam no grupo
Em todo grupo sempre há aqueles (a) que se destacam. O que fazer com eles (a)? Se você tem um trabalho que possa encaixá-la ou alguém que possa orientá-la fora da atividade, acredite no potencial dela. Procure um profissional para quem possa encaminhá-lo. Convide-a participar de outro grupo que você tenha. Ela vai se sentir importante e estimulada a seguir em frente. Crie um solo para ela fazer dentro do Coro. Enfim, coloque-a em destaque sem preterir dos outros.
14. Disciplina nos ensaios
Nem sempre é possível manter a disciplina com todos. Mas, é certo que quando eles estão envolvidos em alguma atividade, eles não têm tempo para conversar, dispersar, etc.
A dica é essa. Envolva esses cantores e eles vão cantar e encantar como ninguém.
Dê a eles o prazer da música e eles devolverão a música com prazer. Se você for um tantinho paciente, verá que aos poucos a atividade coral passa a ser tão importante para cada um deles que não é necessário, brigas, apenas um bom diálogo e, é claro, em alguns momentos, alguns puxões de orelha, no bom sentido. Jamais seja rude com alguém. Tudo o que ela precisa é de carinho, de sentir que é importante no grupo. Você pode também criar um código musical com eles para dizer que você precisa da atenção deles. Seja criativo!
15. Liderança
Liderar um coral não é tarefa tão árdua como alguns pensam. Mas, é preciso ter algumas qualidades como paciência, carinho por elas, ser firme quando precisar, mas acima de tudo saber envolvê-las com a música. Uma maneira fácil de fazer isso, é demonstrando o prazer que a música dá a você, que é bom cantar. Demonstrar pra eles, que eles são capazes de fazer música também. Ser criativo, engraçado, carinhoso, exigente, pois, esses pequenos são bastante exigentes com quem os lidera. Ceda mas, faça-os ceder também. Assim, vamos ter uma troca entre regente e coralista que é muito rica. E, quando vier o resultado eles vão te agradecer. E você vai colher o que você plantou.
16. A música como meio de transformação e formação de coral, da criança e do adolescente.
A música e o esporte são meios de desenvolver e liberar as dificuldades emocionais. Por isso, é mportante mostrar ao coralista a importância da atividade que ele está praticando. É uma oportunidade de trabalhar a disciplina, a concentração, o foco, o ter objetivo, o coletivo, o respeito, enfim uma série de qualidades que irão transformar o comportamento, pensamento, atitude que normalmente têm quando vivem uma realidade difícil e complicada porque a música está diretamente ligada ao emocional e é capaz de sensibilizar o indivíduo mais duro. Por isso, é necessário ter muita paciência, criatividade e carinho com a atividade. Estamos trabalhando com a sensibilidade de cada um.
17. Considerações Gerais
Como podem ver o trabalho com a música, o coral, com crianças e adolescentes exige que tenhamos muito amor pela arte e pela nossa clientela. Requer paciência, criatividade, conhecimento, “jogo de cintura”, dinamismo e muito, mas muito tato com nossos pequenos.
Esse manual é apenas um orientador dos objetivos em relação à cultura musical, para que os trabalhos em cada região tenham mais ou menos unificados o perfil educador e formador a que se propõe essa atividade. Guardadas as diferenças de cada região, estado e cidade é necessário que todos os regentes e coordenadores abracem o projeto como um todo.
Sucesso a todos
Valdir Brito de Medeiros
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